domingo, 1 de junho de 2014

Valor da cirurgia e outros serviços

Galera da ortognática!

Algumas pessoas têm me perguntado quanto paguei pela cirurgia. Sei que é uma curiosidade inevitável, pois precisamos fazer um planejamento de gastos antes de realizá-la. Eu mesmo tive essa curiosidade. Infelizmente para a maioria dos nossos sonhos, os custos estão envolvidos. E precisamos saber o quanto separamos ou juntamos para alcançarmos. Não é uma cirurgia barata e não é todo mundo que pode pagar. 

Eu não informo o valor exato que paguei pela cirurgia por uma simples questão de respeito ao trabalho dos profissionais que eu tratei. Principalmente, pela questão do blog que tomou um alcance que eu nem imaginava. Os nomes de todos eles estão amplamente divulgados aqui e em qualquer busca no Google é possível achar. Imagine se o nome do profissional que citei estiver vinculado a um valor? Bom, eu não acho legal.

Uma das razões de não falar é porque esse valor provavelmente estaria desatualizado dentro de um período. A segunda questão é que o orçamento depende da complexidade da cirurgia e do valor que o profissional agrega com o tempo de experiência, entre outros critérios. 

Assim como eles, eu trabalho prestando serviços para clientes. E já tive problemas com relação a valores em duas situações completamente distintas. Eram custos diferentes e, por consequência, orçamentos diferentes. Já podem imaginar o que aconteceu, né? Um dos clientes queria que eu cobrasse o mesmo valor que cobrei da cliente numa situação anterior. Chato isso né! Por isso que eu não falo. Não quero que nenhuma pessoa chegue no consultório do meu buco dizendo: "Ah, mas a Beliza disse que você cobrou tanto dela...". 

Dessa mesma forma funcionará com meu ortodontista e minha fono. Se quiserem saber valores, eu passo o contato, mas prefiro que perguntem diretamente pra eles.

Com relação a cirurgia, geralmente passo uma média de valor correspondente a época que fiz. Sem contar com a anestesia, hospital e material, os honorários de uma cirurgia como essa pra uma equipe pode variar entre R$10.000,00 e R$25.000,00 (em 2010). Já li pessoas que pagaram menos de R$10.000,00 (em 2010). Mas é aquilo pessoal: depende da complexidade do caso, depende da experiência do cirurgião, depende do local onde reside, depende de muita coisa. Quanto ao local já vi que tem estado que cobra mais caro que no Rio de Janeiro, por exemplo.

Então é isso pessoal, acho que essa média já dá pra vocês terem uma ideia. Queria poder ajudar de alguma forma sem falar o valor exato que paguei. Mas de qualquer forma é sempre bom procurar o melhor profissional possível e que caiba no bolso. Não estou dizendo para fazer no mais barato. Lembre sempre que o barato pode sair mais caro. É clichê mas é verdade! É da nossa saúde, da nossa vida, da nossa auto-estima que estamos tratando. Busquem, em primeiro lugar, referências e indicações antes do preço.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Cobertura e Reembolso

Oi pessoal, como vai a vida? Melhor depois da ortognática né! Difícil no começo mas depois de um aninho fica tudo lindo!

Então, tô de volta aqui hoje para falar sobre cobertura de plano e reembolso. Já contei como foi esse processo comigo anteriormente mas não sei se fui muito clara, pois recebi alguns e-mails sobre esse assunto. Então vou voltar ao passo a passo do meu caso:

1 A minha primeira ação pra realizar a cirurgia foi procurar um ortodontista já com a decisão tomada de fazer a ortognática. Fiz os exames, botei o aparelho, iniciamos o tratamento ortodôntico voltada para a cirurgia e ele me indicou um cirurgião da confiança dele. Fui na consulta com o cirurgião que confirmou a minha necessidade e pediu que eu voltasse quando o orto me liberasse para a cirurgia. Mas, enquanto isso, é importante que os dois se comuniquem.

2 Minha cirurgia não teve cobertura total do plano, porque meu cirurgião não era conveniado as operadoras de saúde. Então os honorários da equipe e anestesia eu paguei do meu bolso, por isso que falo que essa parte foi particular.

3 O fato do cirurgião não ser conveniado as operadoras de saúde não impede de ter cobertura em outras coisas, tipo: hospital e materiais. Por isso que essa parte eu digo que tive cobertura do plano. Parte essa caríssima, principalmente os materiais. Lembrando que os planos são obrigados a cobrir os gastos com esse dois itens depois de atestado os motivos funcionais para a ortognática. Mesmo que a nossa primeira motivação seja estética, temos sempre problemas funcionais.

4 Não fiquem preocupados de como proceder com a cobertura. O próprio buco auxilia nesse processo. No meu caso, ele me deu duas cartas para serem direcionadas ao plano de saúde: uma com o pedido cirúrgico, relatando o diagnóstico e a necessidade da minha cirurgia com uma previsão de data e local da cirurgia. Outra com a lista de materiais cirúrgicos com o nome da empresa representante, para o plano de saúde solicitar a compra.

5 Quando eu ligo pro hospital pra marcar a cirurgia (Lembrando! Eu passei uma data prevista...a data só se confirma depois que o plano autoriza) eles pedem toda essa documentação e encaminham para a Operadora de Saúde. Esta por sua vez, entra em contato comigo, aí começa o lenga lenga. Tem que fazer perícia, tentam trocar por hospital mais barato, tentam trocar por material mais barato, blá, blá, blá. No meu caso, conseguimos manter tudo como planejamos e até perícia não precisei fazer. Meu cirurgião argumentou que não ia trocar por material mais barato, argumentando os riscos de se usar materiais com qualidade inferior (Isso que é profissa!). E eu argumentei que não ia trocar o hospital. Um pouco mais de 1 mês depois, saiu a autorização. Mas nem sempre é fácil assim. Tem gente que leva bem mais tempo. Tive sorte!

6 Depois da cirurgia peguei os recibos de todos os profissionais envolvidos. Os recibos são necessários para dar entrada no processo de reembolso pelos honorários. Dependendo do tipo de convênio que possui podem acontecer três situações: ou não conseguir reembolso, ou um valor quase insignificante ou quase metade do que se gastou. O que é muito bom! Ex: Se pagou R$12.000 pela cirurgia, pode conseguir de R$ 5.000,00 a R$ 6.000,00 de reembolso. Na época eu tinha o Unibanco AIG que reembolsou quase metade. Esse meu plano era excelente, pena que não tenho mais!

7 Além do cirurgião entregar os recibos dos envolvidos, ele entrega outra carta de solicitação de reembolso, relatando o tipo cirurgia que foi feita e o valor orçado e pago por mim.

8 Depois é só entrar em contato com seu plano e saber como funciona o processo para entrar com o pedido de reembolso.

Espero que este post possa sanar todas as dúvidas sobre essa questão. Claro que algumas informações de cobertura e plano vocês precisarão buscar com seus respectivos cirurgiões ou com sua operadora. Não sou guia de cobertura de plano gente! (risos). Obrigada por visitarem a página. Sempre um prazer poder ajudar! Beijos e abraços.

quinta-feira, 13 de março de 2014

ANTES e DEPOIS especial 4 anos

Oi pessoal! Voltei com mais fotos. Como as daqui no blog já estavam bem velhinhas resolvi fazer esse post especial de 04 anos. Da esquerda para a direita, a primeira em 2010, alguns dias antes de passar pela cirurgia; a segunda um ano depois e a terceira desse ano, mais recente. Ex-classe II com muito orgulho!

Gostaram?

Ps: Gente! Não vale entrar aqui no blog pra perguntar qual cirurgia que fiz. Não quer ler o blog tudo bem, mas olha pelo menos o título do blog que já te responde...hehehe, não é por nada não. Mas só avisando! ;)




terça-feira, 11 de março de 2014

E quatro anos se passaram...

Há exatamente quatro anos eu estava no hospital São José no Rio de Janeiro, sendo submetida a uma cirurgia, que durou aproximadamente 5 horas, para corrigir a formação óssea do meu rosto que afetava não só algumas das minhas funções, que não eram tão graves, mas que comprometia muito a estética.

Depois da ortognática, tive que passar por uma série de adaptações: acostumar com o rosto novo, enfrentar problemas de acne, aprender a falar de novo, mastigar e realizar os mesmos movimentos que fazia antes da cirurgia. Simples coisas como usar um canudo, assoviar, umidificar os dentes superiores com a lingua ou espalhar batom só com os movimentos dos lábios eram impossíveis.

Existem pacientes que não conseguem lidar com essas situações sozinhas e procuram ajuda de um psicólogo, que nesse caso, acho fundamental. Consegui passar por essa fase, de certa forma, tranquila e com boa aceitação, pois sabia que era temporária. Claro que a ansiedade batia, mas consegui controlá-la bem. Fazia até questão de contar as pessoas que tinha passado por essa cirurgia pra ninguém achar que meu rosto era daquela forma. Mas mesmo quem não sabia, não ficava me olhando estranho. Na verdade quem me olhava com estranheza eram os meus amigos que ficavam tentando ver a antiga Beliza naquele novo rosto. Meu marido conheci quando eu estava com dois meses de pós. E nem mesmo sabia se conseguia beijar! Mesmo com minha auto-estima baixa, o bichinho se apaixonou por mim...hehehe. Deve ser mesmo tudo neura da nossa cabeça!

Algumas pessoas comentaram comigo que não tinham ninguém com quem contar para receber cuidados no pós cirúrgico, ajuda essa, fundamental principalmente nos 5 primeiros dias que são os mais complicados. Fiquei meio receosa de responder: "Não! Não tem como!". Não poderia responder isso pois não sei como seria se eu tivesse sozinha. Mas que a participação da minha mãe foi imprescindível nesse processo foi. Aliás, não sei como seria se ela não tivesse do meu lado se mal conseguia ficar 5 minutos em pé, por causa do peso da cabeça. Quem conseguiu passar por essa experiência sozinha, conte aqui nos comentários. Vai matar a minha e a curiosidade de outras pessoas.

Bom, logo depois que fiz a cirurgia precisei pegar no backup de fotos antigas para colocar aqui no blog o "antes e depois". Como eu ainda estava acostumada com meu rosto antigo, apesar de ver a diferença, aquilo não me causou espanto. Uns meses atrás precisei acessar de novo as fotos antigas e...TCHARAN! Fiquei chocada! Como eu mudei! Até mesmo depois de feita a cirurgia houve mudanças...fiquei mais velha! (risos). Mas brincadeiras a parte, houve sim melhoras mesmo depois de 01 ano que fiz a cirurgia.

Então parei com o blá blá blá que vocês estão mais curiosos pra ver as fotos né. Olha aí!


ANTES


DEPOIS


sábado, 8 de março de 2014

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Um click no seu novo "eu"

Bom dia ortognáticos!

Eu prometi fazer um post legal aqui sobre uma novidade (que talvez nem seja mais nova), mas muitas pessoas podem não saber. Confesso que ainda não tive de tempo de prepará-lo, então a promessa está de pé.

Mas hoje vim falar de outra coisa e apesar de ser um blog pessoal, peço até "licença" pois este espaço aqui também é de vocês. Como já compartilhei um momento muito importante da minha vida que foi a cirurgia ortognática, hoje quero dividir uma outra conquista que há muitos anos já vinha planejando e finalmente consegui concretizar. O que antes era um hobby virou, enfim, profissão: a fotografia. Nunca gostei de sair em fotos, vocês imaginem o motivo! hehehe. Mas mesmo hoje, o que curto mesmo é tirar fotos. Era um amor latente que hoje resolvi declarar! É muito bom trabalhar com o que se gosta.

Então, quem quiser acompanhar meu trabalho como fotógrafa é só curtir minha página no Facebook em www.facebook.com/belizarochafotografia


Aproveitem que depois da cirurgia a auto estima melhora (e muito!) e me contrate para fazer sua festa ou ensaio. Uma ótima oportunidade para me conhecer pessoalmente e vice-versa. Sempre bom transformar palavras de um e-mail em rostos (risos)!

Beijos e abraços

terça-feira, 19 de novembro de 2013

+ de 200 mil, obrigada!


Há quatro anos quando iniciei os preparativos para a cirurgia, resolvi escrever esse blog não para servir de agenda pessoal de evolução do meu pós. Fiz pensando nas pessoas que um dia teriam a mesma curiosidade que eu tive acerca da ortognática.

Tomei essa iniciativa pela escassez de informação sobre o assunto na internet (em 2009). Na época estava bombando de matérias sobre cirurgia bariátrica, mas nada da danada da ortognática. Fiquei me perguntando por que se fala tão pouco do assunto? Por que as pessoas se chocam ao falar dessa cirurgia? E ainda não recomendam!? Na cirurgia bariátrica o estômago pode reduzir até 1/3 da sua capacidade. Isso não é chocante? Só porque é modinha! Não estou querendo comparar as duas cirurgias em grau de importância ou complexidade. Mas apenas dizer que essa cirurgia também merece seu destaque e divulgação da mesma forma que as outras, pois ela é capaz de mudar uma vida, melhorar uma autoestima. Por incrível que pareça ainda tem gente que desconhece a cirurgia e não sabe como resolver seu problema. Eu mesma só fui descobrir em 2008, dois anos antes da cirurgia, depois de ter passado a adolescência com aparelho na boca, sem resultados.

Na época achei muito pouca informação do Google: uns dois blogs de pacientes – mas que não estavam tão detalhados como gostaria –, alguns poucos sites de clínicas bucomaxilo, mas só tinham aquelas informações padrão, uma entrevista curta...enfim. Fui até o Youtube procurar uma cirurgia assistida mostrando lá a maxila e mandíbula toda recortada e solta. Estava empenhada em procurar e ver tudo, sem medo, sem nojinho! Por mais estranho que vocês achem, ver o vídeo me tranquilizou, pois nesse momento soube exatamente onde estava me metendo.

O meu cirurgião Dr. Henrique, por mais maravilhoso, querido e atencioso que fosse (Sim! Ele tem muitos adjetivos), eu sabia que não iria me responder tudo o que queria, então inicialmente não me atrevi a fazer tantas perguntas. Primeiro porque todo cirurgião tem receio de assustar o paciente, eles precisam manter uma postura mais fria e cautelosa, principalmente quando tem uma mãe preocupada na sua cola. Não é todo paciente que se abre que nem eu me abri para receber as informações. E segundo, eu acho que não tem ninguém melhor para saber detalhes do que com outro paciente. Mas na época não conhecia ninguém para conversar e o Facebook ainda não era essa febre que é hoje. Muita gente ainda estava na era Orkut, e eu já tinha deletado o meu.

Eu quis escrever um blog diferente dos que eu já tinha visto. Mostrar mais do que meu progresso durante o pós, mas também contar dicas e chamar atenção sobre certos pontos no que diz respeito às três áreas: buco, orto e fono. Assim como compartilhar matérias e artigos interessantes, quebrar medos, matar curiosidades, tirar dúvidas, etc. 

Hoje, pra quem buscar no Google sobre a cirurgia, já é possível encontrar um número cada vez crescente de informações. Já existem vários blogs de pacientes (até de um especialista para tirar dúvidas), vídeos, entrevistas, matérias, artigos acadêmicos e grupos no Facebook (vide Mídias Sociais, lado direito) onde você tem acesso para falar com mais de mil pacientes. Inclusive, pela primeira vez, a Rede Globo abriu um espaço no seu horário para falar sobre a cirurgia no programa Bem Estar do dia 23/05/2013.

Estou fazendo esse post especial pelas mais de 200 mil visitas que recebi desde que comecei a escrever o blog lá em março de 2010. Parece difícil mensurar...ano passado (em 2012) quando fui visitar o Dr. Henrique eu não tinha noção da proporção que o blog havia tomado. E fiquei meio incrédula quando ele me disse que a todos os lugares que ele viajava no Brasil, tinha algum paciente perguntando pela Beliza do blog (risos). Comentários assim também vinham do Vinicius, meu orto e da Pri, minha fono, que até hoje mantenho contato. Isso me deixa muito feliz! Uma sensação de dever cumprido por ter ajudado, aconselhado e encorajado tantas pessoas. Uma satisfação receber e-mails de agradecimento e parabenizando pela iniciativa. Assim como é ótimo ter pessoas contribuindo para o blog como foi o caso da Débora, Mirela, Paula e Patrícia que me enviaram suas fotos e compartilharam conosco os seus respectivos casos, das indicações de lugares e cirurgiões e até mesmo as dúvidas que me ajudaram elaborar novos posts.

O retorno que obtive foi tão legal e positivo que mesmo quase quatro anos depois dedico parte do meu tempo para vir aqui atualizar e sempre que possível com novas informações. 

O blog estará sempre aberto pra vocês.

Um beijo e sucesso a todos.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Fonoaudiologia - motricidade oral voltada para cirurgia ortognática

Hoje vou falar sobre a fonoaudiologia. Para elaborar parte do conteúdo tive uma grande ajuda daquela que foi minha fonoaudióloga, a Dra. Priscila Abreu. Pra quem não viu a matéria, assista ao vídeo da FIOCRUZ em que ela é entrevistada (14:05) no post anterior.

Dra. Priscila Abreu sendo entrevistada pelo canal de saúde FIOCRUZ

Muita gente ainda não sabe, mas existe uma especialidade nessa área voltada apenas para reabilitação pós-cirúrgica: a motricidade oral ou orofacial. Partindo desse ponto, entende-se que não é toda fonoaudióloga capacitada para atender pacientes oriundos da cirurgia ortognática. Então já sabemos qual profissional devemos procurar. Somado a isso é importante que a fono especialista em motricidade oral tenha conhecimento da cirurgia ortognática e experiência em casos. Pra vocês verem como a profissional é bem específica.

Mas o que é essa especialidade e como atua?
É a área da Fonoaudiologia que estuda a musculatura dos lábios, língua, bochechas, face e as funções a elas relacionadas, como a respiração, sucção, mastigação, deglutição e fala, as chamadas funções estomatognáticas. Atua na prevenção, avaliação, diagnóstico e tratamento de pessoas com comprometimento destas funções e também pode atuar no aprimoramento da estética facial. (Fonte: Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia)

É necessário o tratamento com a fono após ter passado pela cirurgia?
Sim, a fono é essencial para um recuperação mais rápida e eficaz. Segundo a Dra. Priscila a importância é em virtude de toda a estrutura ter sido alterada. A cirurgia mexe com a posição óssea e a musculatura sofre diretamente com a mudança. O nosso cérebro continua mandando informações ao paciente como se as arcadas ainda continuassem na posição anterior. Por essa razão, nos sentimos estranhos após a cirurgia, causando uma rejeição inicial e um certo arrependimento. Nessa hora que a fonoaudióloga entra, acomodando nossa musculatura e ajudando nas funções.

Por motivos financeiros, não posso custear um tratamento com fonoaudiólogo. O que devo fazer?
Se você fez a cirurgia através dos serviços públicos de saúde, como o Hupe, há um profissional especializado que irá atender gratuitamente. Mas se fez a cirurgia, assim como eu, parte particular e outra parte custeada pelo plano de saúde, ou seja, já gastou tudo, tá pobre, não tem dinheiro pra mais nada, tá com o bolso mais vazio que o mendigo da esquina, a minha resposta é que não há solução (risos). Ainda sim vai precisar separar um dinheirinho pra realizar algumas consultas, mesmo que poucas, só para ter as primeiras orientações.  Eu, por exemplo, fui a mais ou menos seis consultas (com ênfase na redução do inchaço, abertura de boca e acomodação muscular), recebi umas dicas de exercícios voltadas para o meu caso e, no fim do tratamento, dei continuidade em casa. Mas tem que ter disciplina! Se você sabe que não tem, é aconselhável ir mais vezes a fono até ela liberar. O ideal é que faça o tratamento por mais tempo. Mas se a grana tá curta, não vejo outra solução. É ir nas primeiras consultas e ter dedicação nos exercícios. Agora se o seu plano de saúde cobre o fonoaudiólogo, parabéns! Mas lembre de procurar aquele com especialidade em motricidade oral. O ideal é procurar a fono especialista da confiança do seu cirurgião. Tem a opção também de fazer o tratamento particular com a fono e solicitar reembolso pelo seu plano de saúde, se tiver. Aí procedimentos de reembolso procure saber como funciona na sua operadora de saúde. 

A fono especialista em motricidade e cirurgia ortognática é a única indicada para o tratamento?
Existem pessoas que andam procurando fisioterapeuta como tratamento complementar à cirurgia ortognática. Não é o correto! Os únicos casos em que é recomendado procurar esse profissional são pessoas com DTM (Disfunção Temporomandibular) ou paralisia facial. A fono é a única capacitada por uma fundamental e simples razão: a questão funcional. Como foi falado anteriormente a musculatura tem como função o sistema estomatognático (mastigação, deglutição, sucção e fala), logo, apenas a fonoaudióloga especialista é capacitada para avaliar essas funções, enquanto a fisio pode apenas acomodar a musculatura. Segundo Dra. Priscila, cada músculo tem sua funcionalidade, então, não adianta acomodar se a função não está adequada. Ela dá um exemplo bem prático: "A língua de um classe II tem posição diferente da língua de classe III. Com a cirurgia essa posição é alterada, já que a mesma se insere na mandíbula. Então, apenas a fono pode avaliar e reposicionar a língua, avaliar se a mastigação está sendo feita de maneira correta, se a língua está na posição certa para deglutir sem engasgos, se está fazendo corretamente os fonemas fricativos¹ e linguodentais²." Ela ainda completa que se todos esses fatores não forem trabalhados pode trazer recidiva, ou seja, o paciente pode voltar a ter o mesmo problema após a cirurgia com comprovação cientifica, por exemplo, uma mordida alterada. Agora já pessoas que possuem estalos associados a dor, podem procurar tanto uma fono como fisio. 

¹. Sons produzidos por meio do estreitamento da passagem de ar na boca. Exemplos: [f], [v], [s], [ch], [z], [x], [j] são consoantes fricativas.
². Sons produzidos quando a língua atinge o dentes superiores. Exemplos: /t/ e /d/ são consoantes linguodentais.

Quando posso começar o tratamento com a fono após a cirurgia?
Os pacientes quando passam pela cirurgia gostam de saber o tempo certo pra tudo (risos). Quando vou voltar a falar normalmente? Quando volto a abrir a boca? Quando vou conseguir mastigar carne? Quando dá pra voltar a beijar? Quando posso voltar a trabalhar, a fazer atividade física, etc, etc? É um turbilhão de dúvidas só voltadas para o quesito tempo. Normal! Até porque ficamos muitos ansiosos. Não há um tempo certo para voltar a fazer as questões citadas. É como se fôssemos bebês desfrutando de um novo aprendizando, só que no nosso caso, reaprendizado. E assim, como os bebês, os quais levam tempos diferentes pra começar a andar, falar, reconhecer objetos, também temos um tempo diferente para voltar a fazer essas "n" atividades que mencionei. Então quando alguém me pergunta quanto tempo, tomo como base o meu caso, que pode ser completamente diferente de outro paciente. O processo é tão lento e gradativo que muitas vezes comecei a fazer coisas como antes sem nem perceber. De vez em quando é bom se desligar um pouco do tempo, pois gera muita ansiedade....palavras de uma paciente experiente...rs

Mas voltando a pergunta, o tempo fica a critério do bucomaxilo e também de cada caso. Minha fono, por exemplo, já recebeu pacientes tanto com 6 dias e como como 30 dias, que é o período comum. Caso o paciente tenha alguma complicação pós-cirúrgica o buco pode liberar até com 45 dias. 

Estou preocupada com minha abertura. Qual a abertura ideal pro meu tempo de recuperação?
A abertura normal mínima dita na literatura é de 40mm a 45mm. Geralmente espera-se que o paciente com 60 dias já tenha 40mm, mas caso isso não aconteça ele deve estar com pelo menos 35mm. Agora caso esteja com 90 dias e ainda não alcançou a meta de 40mm é preciso investigar.

Fiz a cirurgia, mas ainda forço um pouco para selar os lábios. Isso é normal?
Sim. Depois da cirurgia acontece pelo que chamamos de fibrose. Ela é nada mais do que a cicatrização do tecido onde houve o edema, que não deixa acomodar a musculatura, dificultando o selamento labial. Por isso é importante fazer os exercícios com a fono para ela soltar e, até mesmo, aumentar a fibra. É possível com os exercícios alongar a musculatura em até 3 mm.

E para quem tem problemas na fala?
Aos que possuem problema na fala, segundo Dra. Priscila, 90% dos pacientes conseguem uma melhora só nas consultas com ela (motricidade oral). Os pacientes que persistirem com o problema (ex: voz anasalada) devem procurar uma fono especialista em voz. Os pacientes que mantiverem problema na articulação da fala devem procurar um especialista em linguagem ou até mesmo em motricidade oral voltado para projeção lingual. O tratamento pode dar um aspecto diferente pra voz. Não é o caso dos pacientes, como eu, que nunca tiveram problema na fala. 

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Essa foi mais uma postagem com dicas e respostas para muitas dúvidas. Obrigada Pri pela ajuda! No próximo post tem mais novidades.